Grandes Destaques


INTERVENÇÃO NA FLORESTA

Bombeiros continuam a ser tratados como “filhos de Deus menor”

INTERVENÇÃO NA FLORESTA-Bombeiros continuam a ser tratados como filhos de Deus menor

“À porta de novo período de fogos florestais” a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) constata que os elogios governamentais ao papel único dos bombeiros, não passam disso mesmo pois, na verdade, as mulheres e os homens que tão diligentemente servem o País “continuam a ser tratados como filhos de um deus menor e eternos esquecidos quando se trata de concretizar apoios e obter ferramentas fundamentais para a execução das suas missões”.
Em comunicado, a confederação lembra que “ainda recentemente marcou uma posição clara e inequívoca a propósito do Plano de Recuperação e Resiliência e do Programa Nacional de Ação do Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais”, para os quais deu válidos contributos, mas que “foram pura e simplesmente ignorados”.
Na mesma nota à comunicação social, a LBP regista que, “no próximo sábado, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) vai proceder à entrega de maquinaria às organizações de produtores florestais no âmbito do trabalho de prevenção estrutural na floresta”, medida que, à partida até pode “ser útil”, se dela se obtiverem “o rendimento e os resultados necessários”, até porque, é frisado, “os fogos evitam-se, não se combatem”.
A LBP “lamenta é que, quando chega a vez dos bombeiros o apoio – quando chega - traduz-se em migalhas, se comparado com as necessidades perfeitamente identificadas e reconhecidas por todos”.
“Todos contam de tal modo com os bombeiros, como dado adquirido, que, repetidamente, nem cuidam de saber e satisfazer as suas necessidades como é dever e obrigação do Estado através dos vários Governos”, pode ler-se no documento subscrito por Jaime Marta Soares.
Nas medidas, entretanto, anunciadas pelo Governo para a floresta, o presidente da LBP considera que mais uma vez “enche-se a boca com milhões de euros em que, à partida, os bombeiros já serão os menos apoiados”, sem, ainda assim, existirem garantias que de concretização de promessas, e assim sendo, alega o mesmo responsável “a experiência do passado legitima e justifica plenamente a revolta”.
Os bombeiros portugueses “não estão dispostos a pactuar com tal estado de coisas”, nem tão pouco com “as sucessivas demonstrações de desrespeito”, até porque, sublinha, “a quem está na linha da frente de uma guerra não se pode negar as indispensáveis armas e outros equipamentos”.
Analisados os referidos programas de intervenção e gestão da floresta, a confederação conclui “terem uma matriz comum relativa ao ostracismo a que votam os bombeiros e à falta de apoios que lhes disponibilizam”. A concluir Jaime Marta Sores vai ainda mais longe considerado que os apoios previstos “não chegam nem para mandar cantar um cego”.

Sofia Ribeiro
18.03.2021 | 15h22