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Capa do jornal "Bombeiros de Portugal"

Director: Rui Rama da Silva

domingo,

22/10/2017

19:54

CONCURSOS NACIONAIS DE MANOBRAS

Liga aposta, com êxito, na descentralização

02/07/2015 12:58:46

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Ponta Delgada acolheu, nos dias 13 e 14 de junho, os Concursos Nacionais de Manobras, uma organização da Liga dos Bombeiros Portugueses que reuniu nos Açores mais de 400 participantes.
Assim, pela primeira vez, estas provas deixaram o território continental, para gáudio das equipas insulares que ano após ano se superam, para alcançar os lugares cimeiros nas classificações.
Durante dois dias, os bombeiros levaram festa a S. Miguel, que tão bem soube receber estes especiais visitantes.

Texto: Sofia Ribeiro

Fotos: Marques Valentim

3.jpgCerca de 400 bombeiros “invadiram” a Ilha de S. Miguel que este mês de junho recebeu os Concursos Nacionais de Manobras 2015 – 34.º de Bombeiros e 33.º Cade­tes – uma iniciativa da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) e que este ano contou com o apoio do Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores (SRPCBA).

As provas reuniram um total de 32 equipas, sendo cinco de profissionais, 15 de voluntários (seniores masculinos e femini­nos) e 13 de cadetes (masculi­nos, femininos e mistos), in­cluindo seis da ilha anfitriã, em representação de 21 associa­ções e corpos de bombeiros de todo o País.

Ainda antes do arranque da competição, que dentro do es­tádio é levada muito a sério, era grande a festa em Ponta Delga­da, com o convívio e a boa dis­posição a marcarem a passa­gem deste enorme grupo por terras açorianas.

O sábado 13 de junho foi re­servado a treinos que já faziam antever os elevados níveis de adrenalina que, no dia seguinte, iriam beneficiar e noutros casos prejudicar as provas de cada uma das equipas. Os vencedo­res da edição de 2014, queriam segurar o lugar alcançado no Seixal, mas a restantes forma­ções prometiam não dar tré­guas. Estavam assim reunidas as condições para uma competi­ção renhida, mas sempre cor­dial e marcada pelo fair-play, assumida desde logo pelas equi­pas que o ano passado alcança­ram a vitória, nas diferentes classes nomeadamente os Vo­luntários da Ribeira Grande, de Paço de Sousa, Loures, os Sapa­dores no Porto, mas também os cadetes da Ribeira Grande, da Rebordosa e do Cartaxo.

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Tudo em aberto e em clima de festa, ao final do dia, dezenas de entidades juntaram-se aos bombeiros no Complexo Des­portivo das Laranjeiras para a sessão de abertura destes cam­peonatos, ocasião para Jaime Marta Soares, presidente do Conselho Executivo da LBP ma­nifestar satisfação e agradecer o acolhimento açoriano.

Igual a si próprio, o presiden­te da confederação, começou por elogiar o trabalho dos “ho­mens e mulheres trajam de sol­dados da paz”, declarando que “Portugal tem, hoje, os melho­res bombeiros, voluntários e profissionais do mundo”, agen­tes fundamentais na estrutura de proteção civil e que dão ga­rantias, no que o socorro diz respeito, aos governantes lo­cais, regionais e nacionais.

“Estes concursos não são apenas para consumo interno, escolhem os que vão, lá fora, dignificar Portugal e honrar as bandeiras da Liga e da pátria”, referiu.O presidente da Liga justifi­cou depois a “descentralização” desta evento que em mais de 30 anos nunca tinha saído do conti­nente, com o reconhecimento do contributo dos Açores para o sucesso desta iniciativa dando conta das honrosas prestações das “empenhadas e bem treina­das e preparadas equipas de Ri­beira Grande e Ponta Delgada”, que muito dignificam os concur­sos, dentro e fora de portas, no­meadamente na Europa.

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Perante uma imponente for­matura, Jaime Marta Sores, fa­lou dos crescentes níveis de preparação e de formação dos bombeiros portugueses que im­porta, contudo, “aumentar e in­centivar”.

Apesar dos receios dos diri­gentes do setor, o presidente considerou que o “voluntariado em Portugal está bom e reco­menda-se”, registando a impor­tância destes campeonatos para sensibilizar os mais jovens para o lema “vida por vida” que nor­teia os bombeiros.

Desejando que o palco esco­lhido este ano sirva de “incenti­vo para que, no futuro, sejam muito mais equipas das ilhas”, o comandante Jaime Marta Soa­res, considerou a importância de despertar a “vontade compe­titiva” da Madeira, por agora, ainda arredada destas provas.

Depois de dar conta da com­plexidade logística desta opera­ção, das muitas dificuldades im­postas por um país em dificulda­des, nada, nem a crise fez re­cuar a organização, relevando o esforço das associações locais, envolvimento, a competência e o profissionalismo do presidente SRPCB, as valiosas parcerias com a Câmara Municipal de Ponta Delgada e com a Federa­ção dos Bombeiros dos Açores e a prestimosa colaboração de Vasco Garcia, presidente da di­reção dos Voluntários de Ponta Delgada, que mereceu rasgados elogios e um sentido agradeci­mento do presidente da LBP.

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As palavras finais foram uma vez mais para os bombeiros. Jaime Marta Soares não escon­deu “o orgulho, por mais uma vez, ficar provado que tudo o que os bombeiros são chama­dos a fazer, fazem bem e com qualidade”.

Luís Mendes Cabral, começou por dar as boas-vindas aos par­ticipantes, em nome do presi­dente do Governo Regional, “uma saudação afetiva pela presença nos Açores, mas, so­bretudo, pelo que os bombeiros representam para a região e para o País”. Depois, o Secretá­rio Regional da Saúde dos Aço­res, com a tutela de Proteção Civil, já em nome próprio, falou da “enorme satisfação em rece­ber os concursos” recordando o desafio que a região “agarrou de forma aguerrida”.

Deixou agradecimentos à au­tarquia de Ponta Delgada envol­vida no projeto desde inicio e salientou trabalho do SRPCBA, em articulação com as associa­ções da ilha de S. Miguel e ter­minou a sua intervenção dese­jando “sorte” às equipas em competição e convidando os vi­sitantes a usufruírem de “tudo de bom e de belo que a ilha tem para oferecer”.

Marcaram ainda presença nesta cerimónia, entre outras individualidades o Diretor Re­gional do Desporto, António da Silva Gomes; o vereador da Saúde da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Pedro Azevedo; o inspetor regional de bombei­ros, Rodrigo Mira; o vice-presi­dente do Conselho Executivo da Liga dos Bombeiros Portugue­ses, comandante Adelino Go­mes e os vogais major José Fer­nandes e comandante José Re­queijo; o presidente da Federa­ção dos Bombeiros dos Açores, Manuel Silvestre e, ainda, os comandantes da Zona Naval e da Zona Militar, respetivamen­te, contra-almirante António Cândido e o major-general Car­doso Lourenço.

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O domingo ficou, então, re­servado para as competições e para algumas surpresas, sobre­tudo para as equipas açorianas, nomeadamente Ribeira Grande que, este ano, apenas venceu a prova feminina de seniores e deixou escapar o primeiro lugar nas restantes categorias, como que confirmando que “santos da casa não fazem milagres”. Mais uma vez, o Batalhão de Sapadores do Porto levou a me­lhor ao Regimento de Lisboa, numa sempre acesa competi­ção, que o público e as restan­tes equipas acompanharam com muito interesse.

Assim sendo, a vitória este ano premiou o esforço das for­mações seniores masculinas de Ourém (A) e Marco de Canave­ses (B) e a feminina da Ribeira Grande, e Na categoria dos pro­fissionais, os Sapadores do Por­to (A e B) reconfirmaram o titu­lo. Nos cadetes brilharam a equipa masculina Freamunde, a feminina da Rebordosa, o grupo misto de Fafe.

Registe-se a equipa masculi­na da Ribeira Grande e a femi­nina da Rebordosa serão as re­presentantes portugueses 20ºs Concursos Internacionais de Cadetes, que, este ano, se rea­lizam em Opole, Polónia, de 19 a 26 de julho.

O presidente do Serviço Re­gional de Proteção Civil e Bom­beiros, Capitão José António Oliveira Dias, um dos “padri­nhos” desta edição dos concur­sos, que acompanhou tanto os treinos, como as provas, reve­lou ao Jornal Bombeiros de Por­tugal estar a concretizar um “sonho antigo”, pois, embora a decisão de levar as provas aos Açores tenha sido anunciada há cerca de um ano, no decorrer das comemorações do 135.º aniversário dos Voluntários de Ponta Delgada, muito trabalho foi desenvolvido anteriormente.

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“Era de elementar justiça trazer este grande evento à Re­gião Autónoma dos Açores, à casa dos campeões nacionais” revelou, valorizando os resulta­dos obtidos ao longo dos anos pelas equipas dos Voluntários da Ribeira Grande.

Confidenciou que, em 2013, acompanhou as equipas dos Açores aos concursos de mano­bras, em Fátima e deixou-se to­car pela “envolvência, a alegria, o espírito de camaradagem de entreajuda entre bombeiros”. E assim, foi ainda no continente que se propôs levar à ilha estas provas, que, afinal, tamanha importância têm para os bom­beiros açorianos.

Recusando falar de custos, encargos, despesas ou até in­vestimentos, José Dias, salien­tou, contudo, que “o Serviço Regional de Proteção civil assu­miu, na totalidade, com a maior satisfação, esta organização”, marcada por uma logística complicada, mas que, ainda as­sim, se pautou pelo “sucesso”, conforme considerou este res­ponsável.

“Gerir a componente logística foi o maior desafio, mas essa, também, foi prova superada, correu tudo bem, está toda a gente satisfeita”, reforçou.

14.jpgTambém, em declarações ao jornal Bombeiros de Portugal, o presidente da Federação dos Bombeiros dos Açores, Manuel Soares Silvestre não escondeu a satisfação em receber o even­to que acredita poderá “trazer um novo alento aos bombeiros da região autónoma” e desper­tar nos mais jovens interesse pela causa, até porque torna-se cada vez mais difícil “garantir aos quartéis novos voluntários”.

“Esperamos que para o ano mais equipas açorianas possam participar nos concursos nacio­nais” são os votos deste dirigen­te federativo, determinado em fomentar a dinamização de pro­vas regionais, que permitam am­pliar o número de corpos de bombeiros do arquipélago em competição.

Entusiasmo e orgulho sobra­vam a Vasco Garcia, o presiden­te da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada, que assumiu com brio e esmero o papel de anfitriã dos concursos de mano­bras. Foi neste quartel que os participantes fizeram as refei­ções e encontraram apoio e orientação durante a estada em S. Miguel

13.jpgEm declarações ao nosso jor­nal, o também vice-presidente do conselho fiscal da LBP, mos­trou-se satisfeito com o trabalho desenvolvido, mas sobretudo “muito honrado” em ter contri­buído para a descentralização deste evento.

Em fim de festa, nota positiva para esta mega organização da Liga dos Bombeiros Portugueses que, pela primeira vez, se testou fora dos limites do continente e ousou cruzar o Atlântico, para mais uma bem-sucedida edição dos Concurso Nacionais de Ma­nobras.

Em jeito de “nota de rodapé” ficam os agradecimentos ao Pro­fessor Vasco Garcia, ao comando e aos bombeiros de Ponta Delga­da, ao responsáveis do SRPCBA, bem como à equipa de júris des­ta prova que tudo fizeram para apoiar o trabalho da equipa do Jornal Bombeiros de Portugal que se deslocou aos Açores.

A todos um enorme “obriga­da”!


Mais de meia centena em festa 


10.jpg9.jpgEsta experiência foi vivida, intensamente, pelos mais novos, até porque para mui­tos foi a primeira vez que deixaram os pais, ou viaja­ram de avião, e também por isso, jamais, esquecerão esta enorme aventura.

A alegria contagiante de cerca de meia centena de crianças, deu um colorido di­ferente às provas, uma ines­perada animação, para qual contribuiu muito o grupo de Freamunde sempre o mais efusivo e animado. O Rodri­go, aos 13 anos, já decidiu que quer ser bombeiro, e para isso trabalha “há três anos” nas escolinhas dos Vo­luntários de Fafe. Estreou­-se, este ano, nas competi­ções de manobras nos Aço­res e, ainda a gerir os “ner­voso miudinho”, mostrou-se, contudo, satisfeito com o 3.º lugar alcançado e feliz pela experiência vivida na curta passagem por S. Miguel. Mais experiente nes­tas andanças, Cristina, aos 14 anos é “já é a quarta vez” que participa nas provas e, talvez por isso, faça uma análise mais crítica da prestação da equipa que poderia “ter sido me­lhor”, já a viagem aos Açores não poderia ter sido mais “espetacular”. As bonitas paisagens da ilha conquistaram a cadete fafense, que ainda no Complexo das Laranjeiras, já se mostrava triste pela partida, antecipada por compromissos escolares, o que aliás aconte­ceu com todos que segunda-feira (dia 15) te­riam que fazer exame de português de 9.º ano.

Marta, tem 15 anos e integra o grupo de cadetes de Sintra há mais seis, e, á conversa com os jornalistas considerou “muito positiva” a estada nos Açores, sobretudo, pelo convívio e pela partilha, contudo confidenciou que es­perava “um bocadinho melhor” do que o 8.º lugar alcançado nas provas, nada que tenha esmorecido a determinação desta futura bom­beira que nos garantiu que “para o ano Sintra obterá um melhor resultado”, uma convicção, aliás, partilhada por Mariana, que, embora in­tegre a equipa há menos tempo, já sofre com “as falhas” que, assegurou, serão corrigidas com treino e persistência.

Ainda muito jovens, estas duas “bombeiri­tas” sonham um dia envergar a farda de bom­beiro, provando que, de facto, as escolas de infantes e cadetes, podem mesmo ser uma garantia de renovação dos quartéis, da mes­ma forma, os concursos de manobras são um relevante estímulo para os mais jovens, que importa impulsionar.

 

Comissão e júri nacional


Nova imagem (18).jpgIntegraram a comissão dos Con­cursos Nacionais de Manobras, os comandantes Adelino Gomes e José Requeijo, ambos elementos do con­selho executivo da Liga dos Bombei­ros Portugueses, sendo o júri do Nú­cleo de Manobras constituído por: Aníbal José Reis Luis, Antero Teixei­ra Leite, António Gil dos Santos, An­tónio Joaquim Freitas, António José da Costa Pereira, António Manuel de Lima, Carla Alexandra Ferreira, Carlos Emanuel An­tunes, Ernesto Santos Marques, Fábio Caria, Francisco Caldeira, João Paulo Lopes, José Morais Duarte. José Augusto Antunes, José Carlos Pereira, José Fernando Barrela Caria, José Manuel de Jesus Laranjeira, José Maria Pinto, Lourenço Louro Domingues, Luis Ma­nuel Nobre, Luis Manuel Recto, Manuel Leal dos Santos, Marco Jorge Domingos, Maria Ce­leste Veloso, Maria de Fátima Veloso, Mário Maia Moreira, Nuno Filipe Marques, Paulo Va­ladas, Soraia Rocha Domingues e Vítor Ma­nuel Ribeiro


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