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Capa do jornal "Bombeiros de Portugal"

Director: Rui Rama da Silva

quarta-feira,

21/11/2018

11:49

Ser Bombeiro é um desafio permanente

05/04/2018 11:06:50

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Em Portugal, ser Bombeiro, nomeadamente voluntário, é um desafio permanente para muitos milhares de mulheres e homens.

Trata-se de um desafio real e de todos os dias escrutinado, se assim se pode dizer, a cada passo, a cada chamada a intervir em socorro, em que todas as competências e capacidades de cada um são assim demonstradas.

Ser Bombeiro é uma afirmação de cidadania e dádiva ao seu semelhante sem limite ou preconceitos. Nem sempre os cidadãos que podem sê-lo, de facto, concretizam essa opção. Por isso, apesar de eventualmente muitos poderem, sê-lo, no fim, só um punhado se compromete voluntariamente a sê-lo. É comum dizer-se que essa opção, esse gesto consciente é uma clara demonstração, porventura a maior, uma prova de cidadania ativa e empenhada. Cidadania empenhada por uma causa concreta, que é o bem e a segurança dos concidadãos, dos seus pertences e, em geral, do património natural e edificado nacionais.

Ser Bombeiro é um desafio permanente por que é uma opção testada e avaliada a cada passo, pelo próprio, no seu empenho de ganhar cada vez mais saberes e treino para bem -fazer o socorro, na busca de novos conhecimentos, de novas ferramentas para o executar.

Ser Bombeiro é um desafio permanente, porque vivendo nós numa sociedade competitiva em que a capacidade e o sucesso pessoal e profissional se mede a maior parte das vezes pelo ter, quem opta por sê-lo demonstra ao contrário, ter optado pelo ser.

Ser Bombeiro é um desafio permanente, cujo reconhecimento social é constante e patente, faltando contudo da parte dos poderes instituídos estabelecer formas claras e diretas de ressarcir todas as mulheres e homens por essa opção em prol da comunidade.

Ser Bombeiro é um desafio permanente que, como se disse, é lançado a quem faz essa escolha e, em particular, também à própria sociedade.

O voluntariado é, em si, uma enorme riqueza, mas o seu exercício implica inevitavelmente meios. O voluntariado é um gesto, uma atitude de quem abdica do seu tempo, do seu sossego e o disponibiliza, o põe em comum com a sociedade. Não se trata de alguém que, porventura, por não ter mais nada que fazer na vida mata o tempo de que dispõe assim. Ao contrário, é uma opção consciente de quem, mesmo que se desdobrando em muitas outras ocupações profissionais e pessoais, ainda assim, encontra também tempo para se dedicar aos outros. É uma opção clara e consciente e não uma qualquer frivolidade ou tentativa de apenas passar o tempo.

Ser Bombeiro é um desafio permanente e uma atitude também permanente cujo exercício implica meios técnicos e materiais, que como todos o sabem mas alguns, volto a repetir, os poderes instituídos esquecem.

Temos em curso um processo negocial intenso em torno do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais de 2018 que tem a ver precisamente com a necessidade de dotar os bombeiros com meios técnicos e materiais.

Esse processo decorre há meses e dele fomos dando conta amiudadas vezes. Nunca será um processo concluído mesmo se a cada ano formos obtendo alguns resultados positivos. Trata-se de um processo dinâmico, de diálogo, de negociação, de confronto se disso for necessário, entre a LBP e o Governo no sentido de cada vez podermos satisfazer melhor o cumprimento da nossa missão que é a de socorrer pessoas e bens. Quando reivindicamos, quando exigimos, além de demonstrarmos à exaustão a sua justeza e oportunidade, também o fazemos na convicção de que o que pedimos servirá para melhor servir e socorrer os outros.

No processo negocial recente com o Governo, através do MAI; temos vindo paulatinamente a obter alguns ganhos de causa. Importa lembrar que este processo negocial tem um histórico de outros anos em que fomos também obtendo alguns resultados, nem sempre com a amplitude e a celeridade desejadas mas, mesmo assim, com ganhos que inevitavelmente se vão repercutindo nos anos seguintes.

Nem sempre foi fácil, eu direi até que nunca foi fácil, nem nunca foi possível obter todos os desideratos. Mas, nesse processo anima-nos sempre a determinação e a convicção da justeza das nossas exigências, não tendo em conta apenas a lógica paridade com outras forças, mas acima de tudo como contrapartida da nossa evidente e provada dimensão e da expressão da nossa ação no terreno e nos mais diversos cenários.

Os Bombeiros não são bons por fazerem belas formaturas ou bonitos desfiles, apesar de nessa matéria também não deixarem créditos por mãos alheias, mas são bons porque fazem bem, mesmo se os meios ao seu dispor, quando comparados com os restantes atores, poderem não ser os adequados e indicados.

Relembro que este processo negocial também apresenta um histórico mais recente, decorrente de um Congresso da LBP realizado em outubro do ano transato, com um programa ali amplamente e expressivamente sufragado, e conduzido de seguida de forma intensa e permanente através da auscultação das bases e dos seus representantes através do Conselho Nacional da LBP e do Conselho das Federações.

Nada daquilo que estiver agora a ser negociado e vier a ser alcançado acontece ou acontecerá ao arrepio de todas essas importantes e imprescindíveis estruturas. Ao contrário, continua a ser nossa convicção e prática levar o debate à exaustão, não nos eximindo do cumprimento das nossas obrigações, mas procurando sempre fazê-lo depois de ouvir, avaliar, analisar e decidir em conjunto.  

 

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