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Capa do jornal "Bombeiros de Portugal"

Director: Rui Rama da Silva

domingo,

25/02/2018

17:05

O desafio do Presidente da República é o nosso

01/02/2018 15:59:35

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Não podemos estar mais próximos e concordantes com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, quando, recentemente, na sua Mensagem de Ano Novo, de forma tão eloquente e concludente fez apelo à necessidade e à importância de reinventar Portugal. Trata-se de um apelo ao reencontro dos portugueses consigo próprios. Segue-se um apelo ao diálogo e à construção comum de uma nova realidade social, mais solidária e mais atenta ao coletivo, procurando sobrepor o que nos une ao que nos separa. Por fim, um apelo à confiança no futuro, não em termos vagos e etéreos mas concretos, “com verdade, humildade, imaginação e consistência”.

Pela natureza das suas missões e pelos valores que entendemos seguir e praticar os Bombeiros Portugueses sabem bem interpretar a dimensão da mensagem do Presidente da República, do desafio claro e inequívoco que encerra, que apresenta à sociedade portuguesa, em geral, mas que cabe a cada um dos cidadãos, a cada grupo e instituição forma por eles por em prática, à sua medida e em função das suas próprias funções na sociedade. Isso quer dizer que ninguém poderá ficar indiferente ao desafio do Presidente da República, independentemente do que já fez, está a fazer ou irá fazer na sociedade.

A Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) tem vindo a fazer há muito uma reflexão nesse sentido. As inúmeras propostas que temos apresentado ao Governo em sede própria enquadram-se precisamente na mensagem do Presidente da República.

Ao questionarmos o Governo sobre o que quer para, e dos bombeiros não estamos a endossar-lhe os termos das mudanças que defendemos e preconizamos. Sabemos bem o queremos mudar e não temos qualquer dúvida sobre isso.

A questão estava, em primeiro lugar, em estabelecermos as prioridades e a escala das mudanças que preconizamos, tarefas que fomos desenvolvendo nos últimos meses e que culminámos no Congresso de Fafe e no último Conselho Nacional de Santarém.

Em segundo lugar, sistematizado, calendarizado e ordenado o conjunto de mudanças que defendemos, trata-se de obter da parte do Governo uma resposta clara e inequívoca.

Nós defendemos mudanças, não a reboque de ninguém, mas porque, nós próprios, há muito, sentimos a sua necessidade e oportunidade para a sustentabilidade das associações humanitárias de bombeiros e a crescente resposta qualitativa e quantitativa delas no apoio e no socorro às populações.

Acreditamos que, por muito que já façamos, será sempre possível fazer mais e melhor. Essa é a nossa verdadeira obsessão desde que os fundadores criaram as associações humanitárias de bombeiros e, ao longo de muitas gerações, outros têm vindo a seguir com a mesma determinação e vontade.

Coragem, como pediu o Presidente da República aos portugueses, para reinventar Portugal nunca nos faltou, não falta nem faltará porque isso está precisamente na essência da nossa existência e do nosso papel na sociedade.

Essa coragem anima-nos a não ser, nem conformistas, nem resignados perante as situações com que deparamos.

Ao ouvirmos o Governo anunciar mudanças para a proteção civil é natural e óbvio que queiramos saber quais são e, em que medida, e como nos propõem inserir-nos nelas.

Estamos abertos às mudanças. Por natureza, os Bombeiros Portugueses têm sabido, por si próprios, evoluir internamente, fortalecer as suas estruturas, desenvolver mais competências e respostas. Por isso, como o comprova a nossa própria prática, ninguém nos pode acusar de resistência às mudanças. A diferença está apenas em que não as encaramos com ligeireza nem como moda mas, sim, com a seriedade, com a objetividade, com a análise e a reflexão prévias, que nos permitem aquilatar antecipadamente sobre a extensão, a escala e a exequibilidade das mesmas e, também importante, sem por em causa ou fragilizar a nossa organização e as missões a que está devotada.

Ao iniciarmos um novo mandato nos órgãos sociais da LBP, há muito que elegemos as mudanças e as propostas concretas que elaborámos como a prioridade.

A esse propósito, reiterámos ao Governo em diferentes momentos, inclusive na cerimónia da nossa tomada de posse, a vontade e a disponibilidade para dialogarmos mas nunca, sublinhe-se, para aceitarmos cegamente eventuais mudanças que nos queiram impor sem prévio diálogo, debate e acordo. É certo que não somos Governo nem temos capacidade e legitimidade para legislar. Mas também é verdade que, sem margem para dúvidas, somos o principal agente da proteção civil em Portugal, somos uma organização secular que ao longo dos tempos tem dado provas sobejas na defesa, no apoio e no socorro às populações.

Concluo que, a haver mudanças terão que ser inevitavelmente debatidas connosco. Se assim não acontecesse, as mudanças estariam condenadas ao fracasso. Somos o principal agente da proteção civil, logo, a principal estrutura através da qual as mudanças que vierem a ser definidas virão a ser operacionalizadas e concretizadas.

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