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Capa do jornal "Bombeiros de Portugal"

Director: Rui Rama da Silva

quinta-feira,

19/09/2019

09:45

Importa que se saiba

11/06/2019 10:24:37

Todos sabemos que a qualquer hora do dia ou da noite há sempre bombeiros em movimento para prestar socorro e apoio a qualquer cidadão que deles precise.

Trata-se de uma certeza que todos temos, mas que, em abono da verdade, importa que, apesar disso, seja objeto do destaque que incontornavelmente os bombeiros merecem.

É tão verdade e tão convicção generalizada na sociedade portuguesa que os bombeiros estão em todas as situações de socorro que, até por isso, se corre o risco de ver vulgarizado e até desvalorizado esse facto. Porque já é rotina, porque já se conta com isso, porque já é comum.

Ora, cabe-nos defender que, apesar de comum e até rotina, é importante que os portugueses saibam regularmente quantos bombeiros estiveram em ação e em que circunstâncias.

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, pelos vistos, também não sabe quantos bombeiros intervieram nas mais diversas ações, a ser verdade aquilo que se passa semanalmente no briefing que se realiza em Carnaxide na presença dos oficiais de ligação de todos os parceiros da proteção civil.

Semanalmente, a ANEPC divulga um mapa onde identifica todos os tipos de intervenções registadas durante a semana anterior e o número global de operacionais que nelas tomaram parte. Esse número, contudo, é genérico e não se encontra desagregado, como era lógico e correto fazê-lo. Essa desagregação deveria permitir saber, perante um número total de operacionais, quantos bombeiros e outros fazem parte dele.

Para nós, não é uma questão de somenos importância e, com regularidade, temos chamado a atenção da ANEPC, não só para o facto, mas essencialmente para a exigência de que essa situação seja resolvida. De um número genérico de operacionais queremos saber com rigor quantos bombeiros fazem parte.

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Por mera extrapolação, a ANEPC considera que, do número global de operacionais, 90 por cento são bombeiros. Mesmo assim, estamos em crer que até serão sempre muitos mais. Mas o que importa é que, definitivamente, se passe do mero campo das hipóteses e se centrem apenas no campo das certezas.

Por diversas vezes, e por maioria de razão, a Liga dos Bombeiros Portugueses tem chamado a atenção para essa clamorosa falta de informação cuja importância e utilidade são inquestionáveis, salvo para a ANEPC que teima em não corrigir a situação.

Em cada intervenção, todos sabemos que os corpos de bombeiros informam os respetivos CDOS sobre a tipologia, número de viaturas e de bombeiros envolvidos. Essa informação, sempre prestada e registada informaticamente, pelos vistos acaba por se perder e não permitir o apuro final e nacional dos bombeiros envolvidos.

Por sugestão da LBP, o Instituto Nacional de Emergência Médica também já desagrega semanalmente do número geral de intervenções quantas couberam aos bombeiros. E, inclusive, faz até a destrinça entre as intervenções realizadas por associações e corpos de bombeiros enquanto Posto de Emergência Médica (PEM) ou Reserva.

Numa determina semana, por exemplo, é possível saber que coube aos bombeiros executar 13564 de 16082 intervenções pré-hospitalares, ou seja, perto de 85 por cento. E, se partirmos desses números facilmente também podemos concluir que estiveram envolvidos, pelo menos, 27128 bombeiros a operar as ambulâncias de socorro, fora muitos outros que os acompanham tantas outras vezes.

Ora, se o INEM consegue obter e divulgar de forma detalhada os dados relativos ao número de serviços prestados pelos bombeiros, a ANEPC também poderá e deverá fazer o mesmo.

Trata-se de respeitar e ser fiel à verdade. Não só os bombeiros merecem ser mais bem tratados como importa que todos os portugueses saibam regularmente o que eles fazem.

Todos sabemos que os bombeiros são muitos e bons e importa que isso seja dito. Contudo, deve ser dito com rigor e transparência. E mesmo que possa ser considerado óbvio e consensual nada poderá ou deverá ficar por ser dito e melhor conhecido.

O que quer a ANEPC esconder e porquê?

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