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Capa do jornal "Bombeiros de Portugal"

Director: Rui Rama da Silva

quarta-feira,

21/11/2018

11:49

O Presidente da República que impediu

08/06/2018 12:11:59

a militarização dos bombeiros em Portugal

 

Parada em Seteais - 1928.jpgNesta edição do “BP”, recordamos o Presidente da República que, segundo é-nos dado concluir, por via da análise a vários factos, manteve maior relação com os bombeiros portugueses: o marechal Óscar Carmona (1869-1951).

Na verdade, são muitas as referências noticiosas, e não só, que documentam a presença daquele antigo Chefe de Estado em eventos promovidos por associações e corpos de bombeiros, de Norte a Sul do país.

Todavia, o facto mais marcante envolvendo o marechal reporta-se a 1930, num momento de alguma desorganização dos bombeiros voluntários, motivada pela falta de uma associação que, a nível nacional, congregasse, representasse e desse novo impulso às instituições então existentes.

Pensava-se, na altura, que a militarização dos bombeiros em geral fosse o melhor caminho a seguir.

Partiu, contudo, de Óscar Carmona, um dos mais prestigiados militares portugueses, o afastamento de tal ideia.

Quando da sua morte, em 1951, a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), cuja fundação a 18 de Agosto de 1930 veio, progressivamente, colocar um fim na citada desorganização, recordou:

"Os Bombeiros de Portugal, e nomeadamente os Voluntários, nunca poderão esquecer-se de que foi ele quem se impôs para que não fosse por diante a ideia de os militarizar, quando, por altura do Congresso do Estoril, se pensou nessa modalidade que lhes retiraria todas as características ideológicas."

Antes, porém, o jornal “O Fogo”, relatando os acontecimentos daquela reunião magna, onde cerca de 650 bombeiros e 18 veículos desfilaram perante o ainda general, dá conta:

"Sua Ex.ª o sr. Presidente da República, ao ver o garboso desfilar das forças representativas do esforço da iniciativa particular, teve palavras de justiça e apreço, declarando que dentro da sua esfera e acção poderiam contar com o seu apoio. Orgulha-nos as apreciações de Sua Ex.ª´porque sendo ditadas sem nenhuma das formas protocolares elas foram do coração e como tal nós os bombeiros Portugueses as devemos receber."

 

"Dotes de carácter e virtudes cívicas" 

Foi, portanto, o Presidente da República, um autêntico "aliado" da LBP, reconhecendo nos bombeiros portugueses uma "demonstração de força, altruísmo e patriotismo", conforme sublinhado aos seus dirigentes na II Grande Parada dos Bombeiros Portugueses, realizada em Lisboa, a 16 de Junho de 1935, por iniciativa do “Diário de Notícias”.

Em meados dos anos 30, ao venerar o mais alto magistrado da nação – aspecto de que não há memória, pelo menos de modo tão vincado, no que tem a ver com o presidente do Conselho, Oliveira Salazar, que manteve sempre uma postura distante dos bombeiros e das suas estruturas – a co-denominada Confederação de Associações e Corporações de Bombeiros dedicou-lhe a primeira página de um dos números do seu boletim, figurando, para além da fotografia oficial, o seguinte texto:

"A Liga dos Bombeiros Portugueses rende as suas homenagens mais calorosas ao prestigioso Chefe de Estado, cujos dotes de carácter e virtudes cívicas são garantia de que as aspirações dos Bombeiros Portugueses encontrarão em Sua Excelência o merecido carinho e segura protecção."

A história regista que o mais duradouro dos presidentes da República Portuguesa (esteve no poder durante cerca de 25 anos), "afirmou-se, sobretudo, pela sua habilidade política, facilidade de relacionamento, prestígio da família e competência técnica".

Refira-se que à data do seu contributo em prol dos bombeiros portugueses ainda não havia sido institucionalizado o regime do Estado Novo e aprovada a nova Constituição de 1933. Depois disto, destaca a história, "a intervenção activa de Carmona nos assuntos políticos passou a ser escassa e praticamente nula, principalmente devido à concentração das pastas-chave em Salazar, que controlava todo o Governo".

Como iconografia, publicamos curiosas imagens, de 1928, publicadas na revista “Ilustração”, referentes à presença de Óscar Carmona na primeira parada conjunta dos bombeiros do concelho de Sintra, fruto da iniciativa dos respectivos comandantes mas também da organização então em curso liderada pela Câmara Municipal de Sintra, por via da recém-criada Inspecção-Geral do Serviço de Incêndios do Concelho de Sintra (1927).

 

Artigo escrito de acordo com a antiga ortografia

Site do NHPM da LBP:

www.lbpmemoria.wix.com/nucleomuseologico 

 

 

"Isto de ser bombeiro tem que se lhe diga…"


concurso.jpgEntre 2 de Julho e 31 de Agosto de 1984, o extinto jornal “O Diário” promovia o concurso "Vida por Vida - Bombeiros de Portugal", cujo logotipo aqui recordamos como ilustração de um apontamento então publicado nas páginas daquele periódico, no âmbito da mesma iniciativa.

Sem prejuízo de, em breve, fazermos uma abordagem específica acerca do referido concurso, e porque há dias se celebrou o Dia do Bombeiro Português, não resistimos a transcrever as palavras que a reportagem do antigo matutino entendeu por bem registar, a propósito de uma incursão pelos Bombeiros Voluntários de Almeirim. "Isto de ser bombeiro tem que se lhe diga…", foi a expressão escolhida para intitular um breve comentário que se mantém actual. Ele aqui fica enquanto curiosidade histórica e, também, alerta, passados cerca de 34 anos sobre a sua redacção: 

"A nossa equipa de reportagem só pôde começar o seu trabalho, em Almeirim, ao final da tarde, já que os nossos entrevistados, previamente contactados, nos fizeram saber da sua necessidade de não perderem meio dia de trabalho.

No decorrer da conversa, dizia-nos o vice-presidente da Associação que 'se não se vem aqui praticamente todos os dias, isto não anda'.

Em Almeirim, como, afinal, em quase todas as localidades por onde passámos a saber de bombeiros, da sua vida, das suas aspirações e necessidades, comprovámos, mais uma vez, que isto de se ser bombeiro tem que se lhe diga, que não é demais o respeito que temos de ter por estes homens que, depois de um dia de trabalho, vão dar, gratuitamente, as suas horas ainda disponíveis a uma causa a todos os títulos meritória e digna de aplauso. 

Mas o aplauso não basta. Será bom que as entidades competentes olhem, cada vez mais, para os bombeiros, com o olhar que os bombeiros merecem…"

 

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