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Capa do jornal "Bombeiros de Portugal"

Director: Rui Rama da Silva

quinta-feira,

19/09/2019

10:07

O incêndio na Igreja de São Domingos

31/08/2016 16:16:17


Pesquisa/Texto: Luís Miguel Baptista

 

 

nhm1.jpgLisboa, 13 de Agosto de 1959. Nesta data, a Igreja de São Domingos atraiu centenas de pessoas à velha Baixa Pombalina.

No seu interior, lavrou um dos maiores incêndios ocorridos na capital, supostamente, motivado por uma faúlha saída de alguma chaminé próxima.

Os bombeiros, sapadores e voluntários da cidade de Lisboa, num total de 300 homens, procuraram salvar aquele lugar de culto, embora já praticamente convertido em escombros fumegantes.

Ao rasto de destruição juntou-se a morte de dois sapadores bombeiros, vítimas da derrocada da zona do coro: o cabo de 1.ª classe n.º 423, José Francisco, e o cabo de 1.ª classe n.º 578, Francisco da Silva Gomes.

Segundo relato da época, quando identificado o incêndio por seminaristas e padres residentes na casa paroquial, “o fogo já então devorava o interior do templo e, ao abrirem as portas, a deslocação do ar deu-lhe as proporções trágicas que em breve teria, estoirando os vitrais das janelas, irrompendo do telhado que, daí a pouco, se desmoronava, num estrondo aterrador”.

Todo a área circunvizinha esteve sob elevado risco de incêndio, chegando a ser afectada parte de um edifício de habitação.

Deveu-se à acção dos bombeiros, exercida em condições de protecção individual muito frágeis, o impedimento de mal maior.

O combate ao fogo desenvolveu-se com dificuldade, debaixo de forte chuva de partículas incandescentes e intenso calor.

nhm.jpgPor instantes, os bombeiros foram obrigados a recuar, mas sem nunca dar tréguas ao inimigo. Valeu-lhes o recém-adquirido equipamento dos sapadores de Lisboa, dotado de modernos recursos para a época, tais como auto-escadas de longo alcance, bombas de grande débito e agulhetas de nevoeiro.

Mesmo assim acontecendo, deram entrada no Hospital de São José, por inalação de fumos e atingidos pelos destroços, 23 feridos, entre os quais 13 bombeiros, 3 marinheiros, 1 soldado e 6 civis.

A maior parte dos prejuízos atingiram valores incalculáveis, não estando cobertos pelo seguro. Perderam-se altares em talha dourada, imagens valiosas e pinturas do período barroco.

Restou, do velho templo, de onde, um dia, partiram em procissão para a fogueira, muitos condenados pela Inquisição, pouco mais que as paredes e as portas da entrada principal.

Ainda hoje, apesar de recuperada há vários anos, a Igreja de São Domingos apresenta vestígios do incêndio de 13 de Agosto de 1959, ocorrência que figura na história como sendo uma das situações mais graves enfrentadas pelos bombeiros portugueses.


Artigo escrito de acordo com a antiga ortografia

Site do NHPM da LBP:

www.lbpmemoria.wix.com/nucleomuseologico


Emblema primitivo da LBP

Agosto é o mês do aniversário nhcx.jpgda fundação da Liga dos Bombeiros Portugueses (18 de Agosto de 1930).

Por isso, mostramos o que supomos tratar-se do desenho (a tinta-da-china) que deu origem ao estudo ou, talvez, a uma versão melhorada do seu emblema primitivo, o qual esteve em uso até à adopção da Fénix.

O mesmo tipo de imagem serviu ainda de inspiração ao cunho da Medalha dos Congressos, aprovada no Congresso da Covilhã, em 1932, e também pela Portaria n.º 7476, do Ministério do Interior.

Autor do desenho não identificado. 

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