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Capa do jornal "Bombeiros de Portugal"

Director: Rui Rama da Silva

domingo,

22/10/2017

19:56

Vida de bombeiro

04/08/2017 10:32:15

A conjuntura impõe recato e reflexão, mas campeia a agitação que dá lastro aos agitadores e aos agitados. Embora os “timings” sejam discutíveis, e como em tudo existam teorias para tudo e para todos os gostos, urge um debate sério e desassombrado para que nada volte a ser o que era, para que daqui a um ano não voltemos à cegarrega do costume, à ligeireza, como por cá, é normal abordar até os temas fundamentais.

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À margem da vozearia, os bombeiros, aqueles que no terreno cumprem a missão de salvaguardar bens e salvar vidas, norteados apenas por um desígnio maior. Estas mulheres e estes homens também pensam, também sabem o que está mal, mas remetem-se ao silêncio esperando que quem comanda e manda o faça com competência, que aprenda com os erros e que os corrija. Em silêncio contido, sem alardes nem exigências, os bombeiros delegam as ações e as reações em quem os representa, assim como o fizeram os seus antecessores.

Embora os bombeiros de hoje sejam, por circunstâncias várias, sensibilidades e formação distinta, diferentes dos de ontem, há algo que os une: a entrega à causa ou a intensidade com que a vivem.

As estórias que povoam a história de 92 anos de vida de António Lopes, mais de 50 dedicados aos Bombeiros da Lousã, à semelhança de muitas outras figuras carismáticas deste peculiar universo, não se repetem, mas, curiosamente, embora muito tenha mudado nos últimos anos, são ainda atuais, e pela forma e vivacidade como são narradas servem de inspiração em forma do exemplo que norteia os mais novos e que perdurará no tempo.

Os meios e as condições colocadas à disposição dos operacionais do presente não têm sequer comparação com a forma primária como, no passado, operavam, contudo na essência pouco mudou, a vida de bombeiro continua a ser a sina que só alguns ousam enfrentar em prol do seu semelhante, mesmo que isso nem sempre mereça lícito reconhecimento.

Recusam ser heróis, não procuram o mérito das medalhas e, por isso, já deveriam não só granjear a gratidão de um povo, mas também as políticas e as estratégias que dignifiquem o setor e permitam de uma vez dar valor a quem realmente o tem, a bem de todos, a bem da Nação, para que não se repitam tragédias como as de Pedrógão, nem os dramas vividos em Mação, Proença ou Niza, onde as chamas não deram tréguas nem às populações nem aos milhares de homens e mulheres, trajados de soldados da paz que no terreno tudo deram para colmatar todas as falhas, para remediar o que não foi prevenido pelas muitas entidades que teriam a obrigação de o fazer.

Sofia Ribeiro

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