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Capa do jornal "Bombeiros de Portugal"

Director: Rui Rama da Silva

segunda-feira,

17/12/2018

17:14

Todos juntos contra uma reforma imposta

06/12/2018 12:54:44


Manif.JPGSempre solidários com o outro e ou com as mais variadas causas, os bombeiros nem sempre se unem nas suas coisas. Mesmo que com problemas, carências e desafios semelhantes, na maioria das situações vinga o “cada um por si”, o que, lamentavelmente, acaba por soar a desunião, aquela que permite aos políticos uma governança, sem percalços ou quaisquer contestações.

Mas desta vez, e nem que seja só uma vez, os soldados da paz deram as mãos pelo bem comum, numa mega concentração nacional que mobilizou mais de três mil operacionais e dirigentes por um desígnio maior.

Todos juntos contra uma reforma do setor que não respeita reivindicações, já antigas, dos Bombeiros de Portugal, nem tão pouco reconhece a importância da missão que prestam ao País, tudo que dão aos portugueses em troca de quase nada.

Esta foi uma jornada de luta ímpar por vários motivos, mas principalmente porque permitiu ao bombeiro, ao operacional anónimo, que, normalmente, não tem voz a expressar-se, a tornar público o seu descontentamento.

Numa época em que redes sociais assumem cada vez mais fórum para todo o tipo de discussões sobre os temas que ao setor importam, nem sempre da melhor forma ou com a desejável lisura e a necessária seriedade, esta concentração nacional revelou-se muito importante porque deu rosto, expressão, número ao descontentamento.

Emocionante a forma como as mais de 800 viaturas de todos o tipos e dimensões e valências “invadiram” à capital do País, mas também o brio no atavio das mulheres e homens exibido numa impecável farda n.º 3, que dificultava a distinção de postos e categorias. Por ali, e por uma vez, eram todos simplesmente e despojadamente bombeiros.

O ruído das sirenes e das buzinas, mas, também, o colorido de dezenas de estandartes e guiões e, obviamente, o burburinho provocado pela movimentação de milhares de ativistas desta nobre causa, acabaram por despertar os transeuntes, a grande maioria turistas estrangeiros, para o protesto, que não obstante o aparato decorreu sem quaisquer incidentes.

Chegaram, disseram ao que vinham e, cumprida mais uma missão, partiram “à bombeiro”, com a satisfação de dever cumprido, ainda que, certamente, com muitas dúvidas na eficácia desta primeira intervenção, por isso em prontidão para os próximos acionamentos.

Para dia 8 de novembro está agendada outra ação de luta, desta feita uma reunião geral que juntará em Santarém dirigentes e bombeiros, na procura de soluções para os problemas do setor, que não encontram na reforma apresentada pelo governo de António Costa.

Não sendo ainda possível antecipar decisões parece claro que desta vez os bombeiros não vão baixar os braços, até porque, sublinhe-se, a resiliência é uma característica inata, está no ADN deste exército de paz.

 

Sofia Ribeiro

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