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Capa do jornal "Bombeiros de Portugal"

Director: Rui Rama da Silva

quarta-feira,

21/11/2018

11:40

Solidariedade insuspeita e desinteressada

05/04/2018 11:35:09


Ainda no rescaldo de um verão terrível muito se falou sobre as questões da logística, que serviram, entre outras coisas, para colocar os holofotes no acessório, camuflando o essencial.

Logo após os incêndios de outubro, começaram a ser questionadas a qualidade e quantidade dos alimentos servidos aos operacionais o que terá estado na origem de um processo de averiguações a 12 associações e corpos de bombeiros. O caso – mais um - muito deu que falar, sem que contudo fossem revelados os alegados “prevaricadores” ou seja, em tese, sem fundamentação clara, funcionou a teoria da conspiração ou do “diz que disse”.

Registe-se que, não raras vezes, o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) defendeu que deveria ser a Autoridade Nacional de Proteção Civil a assumir a logística nestes teatros de operações, exorcizando dessa forma os fantasmas da suspeição.

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À margem destas questiúnculas as associações, em muitos casos com o apoio das populações, fazem de tudo para garantir que nada falta às mulheres e homens, a maioria voluntários, que numa luta sem tréguas defendem as vidas e os bens dos portugueses.

Importa, talvez, dizer que as contas apresentadas no final de cada época não contabilizam os apoios, as ofertas, a generosidade e a solidariedade do cidadão comum, dos empresários de distintos setores, de diversas instituições que servem os territórios flagelados.

A solidariedade não tem preço é um facto e ao que parece quem dá sai sempre mais afortunado, ainda assim, importa sublinhar estes apoios anónimos que muito contribuem para a melhoria do serviço prestado não apenas às suas comunidades, mas também ao País.

Felizmente, não faltam histórias de gente boa e solidária e de organizações socialmente responsáveis. Ás grandes empresas, com maiores recursos, como a Simoldes ou Symington que muito têm colaborado com os bombeiros, juntam-se outros beneméritos com menores recursos, mas que ainda assim encontram margem de lucro no apoio que concedem aos soldados da paz.

Curiosamente, em pleno século XXI, numa sociedade que se crê de alguma forma desenraizada, distante ou egoísta, é possível encontrar modelos de bondade pura, saudavelmente provinciana. Ainda existem mercearias, supermercados, cafés, padarias ou restaurantes que escancaram portas, a qualquer hora do dia ou da noite para fornecer alimentação aos bombeiros em missão, nomeadamente no combate aos incêndios florestais. Da mesma forma, são também muitas as pequenas empresas, associações ou instituições que promovem eventos vários em prol deste exército da paz.   

Num nestes dias, numa deslocação a Santo André tivemos a grata satisfação de conhecer a Lúcia e o Carlos Beja, proprietários do Restaurante Cascalheira e, reconhecidos, ativistas da causa que já serviram. Deixaram o ativo mas não esquecem os seus, por isso estão sempre disponíveis para apoiar os bombeiros, dinamizando campanhas de angariação de fundos ou garantindo o fornecimento de refeições sempre que seja necessário.

O comandante Alberto Trigo fala com alegria no exemplo dado por este casal que acaba por responsabilizar a comunidade pelo patrocínio da excelência do serviço prestado pelos Voluntários de Santo André.

No Restaurante Cascalheira a qualidade e a variedade das iguarias vão à mesa com a simpatia dos jovens empresários e dos seus colaboradores – Emanuel e Elisabete – guarnecidas com doses generosas de solidariedade, que podem não engordar contas bancárias, mas enobrecem a vida.

 

Sofia Ribeiro

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