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Capa do jornal "Bombeiros de Portugal"

Director: Rui Rama da Silva

domingo,

23/07/2017

23:51

Obrigada Bombeiros de Portugal

03/07/2017 16:15:13

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E voltaram a abrir-se as portas do inferno por onde, invariavelmente, os bombeiros passam para cumprir a sua missão, por mais difícil e sofrida que seja. Vão, mesmo não sabendo se voltam, sempre norteados por um desígnio maior de servir o próximo, ainda que esse peculiar despojamento nem sempre seja devidamente valorizado ou até reconhecido.

Enquanto se apuram as causas e se esperam consequências do mais mortífero incêndio de que há memória na Pátria Lusa e embora pareça evidente que, em Pedrógão Grande, algo falhou, os bombeiros de Portugal não desmotivaram, não baixaram os braços e deram o melhor de si não cedendo ao cansaço nem mesmo à tristeza pela perda de uma camarada de luta.

Por estes dias a comunicação social, nomeadamente as televisões levaram a tragédia e os dramas pessoais de tantas e tantas pessoas a casa de cada um de nós. Fomos confrontados com imagens horríveis, mas também com o aproveitamento da miséria alheia, com as queixas de populações abandonadas à sua sorte, com as lágrimas e o desespero de quem perdeu tudo e o sofrimento atroz dos familiares e amigos dos 64 inocentes vítimas da fúria de um fogo carrasco, entre eles Gonçalo Conceição, o bravo bombeiro dos Voluntários da Castanheira de Pera.

Todos acompanhámos a tragédia ao segundo, assim como as declarações de governantes, de várias outras entidades com responsabilidade no setor e de especialistas, muitos, nas mais diversas áreas. Durante cinco longos dias, aguaceiros de certezas, foram dando lugar a uma tempestade de perguntas, ampliada por uma trovoada seca em respostas.

Mais de dois mil soldados da paz bateram-se, corajosamente, contra um inimigo feroz e traiçoeiro, distanciando-se, estrategicamente, de “outras guerras” e das chamas da polémica.

Do muito que se disse e do outro tanto que continua por debater evidencia-se o silêncio dos bombeiros focados apenas no essencial, no estrito e exemplar cumprimento da sua missão, uma postura que lhes vale o respeito de uma nação.

Em nota de rodapé, faz sentido recordar a surpresa com que os jornalistas receberam um convite para jantar no quartel de Castanheira de Pera, horas depois do funeral do bombeiro Gonçalo Conceição. Ainda tolhida pela dor, que perdurará, esta grande família reuniu-se mas não esqueceu os profissionais de outras áreas que durante dias também estiveram naquele território mártir do Pinhal Interior. A jornalista mostrava-se sensibilizada com o gesto, que, afinal, mais não é que a imagem de marca destes homens e mulheres com e sem farda que vivem para dar, sem nada esperar em troca.

Obrigada Bombeiros de Portugal, que não vos falte a tenacidade, resiliência e generosidade para continuar a servir esta nação que tem em cada um de vós um bom exemplo para se emendar.

 

Sofia Ribeiro

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