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Capa do jornal "Bombeiros de Portugal"

Director: Rui Rama da Silva

terça-feira,

12/12/2017

12:19

Na casa dos bombeiros Natal acontece todos os dias

04/12/2017 13:26:42

jor2.jpgE é chegada a época da solidariedade e da fraternidade em que, quase por tradição, todos queremos ser melhores, como que cumprindo um ritual imposto pela quadra.

Num ano a todos os níveis “atípico” ensombrado, desde logo, pela tragédia, pelas várias tragédias, pelas mortes e por perdas irreparáveis, até o inverno chegou tarde e discreto, potenciando ou agravando a seca que vai martirizando vários concelhos do País.

Em 2017 nem o Natal se revela com a exuberância de outros anos. As músicas da época entoam nas grandes superfícies comerciais, mas as ruas das grandes cidades só, agora começam a trajar de luz.

Ainda assim, importa não exorcizar o “espírito” da quadra que, apesar dos pesares e algum desânimo. continua a reinar nos quartéis dos bombeiros do nosso País, onde os presépios e todos os outros enfeites entram em cena, sendo que, o que realmente importa – a solidariedade e o amor ao próximo – são elementos perenes.

Por estes dias os quartéis já estão decorados a preceito e as festas os convívios natalícios são mais do que um bom motivo para reunir a família, constituem momentos de reaproximação e de recuperação da energia perdida na voragem de um ano demasiado exigente.

É devido o maior reconhecimento e um enorme agradecimento às mulheres e aos homens que fardam de sol¬dados da paz e um tributo à resiliência com que abraçam a causa.

No balanço desta “época de incêndios”, quase todos fora de época, ficam-nos os desabafos de comandantes, os relatos emotivos de bombeiros e, também, de dirigentes, as histórias que quem deixou para trás a família e o património para defender pertences de outros. Fizeram o possível e, muitas vezes o que parecia o impossível, mas esse esforço titânico não permitiu salvar tudo e essa ferida continua por sarar.

Não raras vezes, o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, nas suas intervenções públicas fala de um humanismo – “de dimensão, sem dimensão” – quase inato e talvez seja por isso mesmo que os soldados da paz dispensem o rótulo de heróis.

No decorrer deste mês novembro, no rescaldo de todos os incêndios, até dos ateados pelas várias polémicas, ouvimos o comandante Adelino Gomes, dos Voluntários de Constância e a adjunta Sofia Ferreira, de Oliveira de Frades a reconhecer, com genuína humildade, o heroísmo das populações que enfrentaram o inferno, mui¬tas vezes sem meios, nem preparação, arriscando tudo até a vida.

Como sói dizer-se os bombeiros não são melhores que o comum dos cidadãos, mas – certamente – são diferentes, e é essa singularidade que pode explicar a forma como servem a nação, indiferentes à forma como, egoisticamente, o País, muitas vezes, se serve deles.

Importa pois valorizar o exemplo que nos chega dos mais de 400 quartéis de todo o Pais, onde residem o altruísmo, a generosidade e a gratidão e, assim sendo, na casa dos bombeiros de Portugal o Natal acontece todos os dias.

Resta-nos pois desejar um feliz Natal aos bombeiros com e sem farda, aos seus familiares e aos associados e beneméritos que vão mantendo acesa a chama do voluntariado.

Sofia Ribeiro



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