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Capa do jornal "Bombeiros de Portugal"

Director: Rui Rama da Silva

segunda-feira,

21/08/2017

10:59

Bombeiros (também) formam cidadãos

28/04/2017 16:05:36


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Não será a primeira vez que, nesta coluna, damos enfoque à importância ou ao contributo das associações humanitárias de bombeiros para a formação dos mais jovens, quer no âmbito das escolas de infantes e cadetes ou das bandas e fanfarras, quer nas ações promovidas em contextos comunitário ou escolar.

São muitas as instituições a apostar nas mais diversificadas iniciativas, a trabalhar em várias frentes, a testar novas estratégias, com o objetivo primordial de atrair crianças e jovens para os quartéis.

Sendo certo que importa acautelar o futuro e começar já, hoje, a fomentar o voluntariado que possa dar continuidade ao projeto, a verdade é que estas instituições são, acima de tudo escolas de cidadania, onde os mais jovens apreendem valores fundamentais. Solidariedade, companheirismo são matérias importantes a que se juntam trabalho de equipa e o respeito pelo outro.

Os “Estágios de verão”, promovidos pelos Voluntários de Queluz, ou a atividade “Bombeiros por 5 dias” que decorre durante as férias da Páscoa em quartéis de Norte a Sul do País, constituem um sucesso, não apenas pelo número crescente de participantes, mas pela forma como esta passagem pela causa marca e muitas vezes “agarra” os mais jovens.

Há alguns dias estivemos no quartel da Lourinhã, no distrito de Lisboa, onde 60 esforçados formandos de palmo meio não só exibiam orgulho na farda envergavam, como se mostram ávidos de conhecimento, mas nem a responsabilidade com que assumiam este desafio lhes roubava a alegria e o sorriso. Interrogados sobre o futuro, ainda manifestam as naturais dúvidas de que caminho a seguir, quando todos são possíveis, contudo, todas estas crianças e jovens reconhecem que esta é uma experiência que os muda, que os faz crescer e aprender “muitas coisas”. Curiosamente, até mesmo os mais rebeldes, referenciados pelo mau comportamento ou por um desinteresse generalizado, encontram nestas atividades espaço e motivos de entrega, surpreendendo muitas vezes os professores e até própria família.

Ainda que o socorro seja a mais importante das missões, a verdade é que atribuídas aos bombeiros de Portugal assumem muitas outras de cariz social, lúdico, cultural, desportivo e até ambiental. Mas estas casas são ainda escolas de cidadania para os homens e mulheres que as representam e as dignificam, mas também para a comunidade, sobretudo, para os mais novos que mais que conceitos e técnicas levam dos quartéis lições de vida que perdurarão na forma como se vão relacionar com o voluntariado, inserir em sociedade e olhar o seu semelhante. Desta forma, ainda que muitos destes “bombeiritos ocasionais”, não sejam os futuros soldados da paz, serão cidadãos melhores, mais conscientes e esclarecidos e, certamente, comprometidos com a causa.

 

Sofia Ribeiro

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