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Capa do jornal "Bombeiros de Portugal"

Director: Rui Rama da Silva

quarta-feira,

21/11/2018

11:57

Todos são merecedores

05/11/2018 12:01:20

Nunca se esgotará o dever da sociedade enaltecer o trabalho desenvolvido pelos bombeiros na prevenção e no socorro às populações.

Por muitas ocorrências e teatros de operações em que participem os bombeiros, apesar de se correr o risco de ver vulgarizada e rotinada essa presença, será bom lembrar sempre o seu papel, as suas competências, a sua abnegação, o seu esforço e até o risco que os envolvem. Não se trata de se porem em bicos de pés, como vemos outros agentes fazerem amiúde, mas tão-somente ser justos e correctos perante o seu desempenho quantitativo e qualitativo dos bombeiros.

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Sabe-se que a larguíssima maioria dos operacionais que encontramos a cada passo, no combate a incêndios florestais ou urbanos, no socorro pré-hospitalar, no socorro em cheias ou resgate no mar, nas arribas ou em zonas montanhosas interiores são bombeiros. Oscilam sempre, independentemente da área temática ou localização da sua intervenção, entre os 98 e 99 por cento dos presentes.

Não pretendo com este destaque desvalorizar ou menorizar todos os restantes agentes de proteção civil, mesmo que complementares mas largamente minoritários.

O que se pretende, é sim, ser rigoroso na informação, ser preciso na estatística, sobre quem, o quê, e com que grau de envolvimento e responsabilidade, faz num teatro de operações.

O facto de estar generalizada na sociedade, e há muito, a imagem de que os bombeiros nunca falham à chamada e fazem-no com competência e eficácia pode, às vezes, tornar-se injusto e incorrecto para com eles próprios. Tudo aquilo que à partida se possa dar como certo, com que se conta sempre, pode às vezes correr o risco de ser desvalorizado. E isso pode às vezes ocorrer com os bombeiros.

Não se trata de tecer loas, à toa, mas reconhecer a função social e a missão incontornável que os bombeiros têm desempenhado no seio da sociedade, garantindo-lhe a segurança, o socorro, em termos gerais, o bem estar necessário para que possa continuar a desenvolver-se e a expandir-se em boas condições.

Como tudo isso é óbvio, é sabido, precisamente por isso, também pode redundar numa vulgarização, direi negativa, acerca da importância do papel dos bombeiros na vida em sociedade.

Mas, ao contrário do que se possa pensar ou fazer crer, a comunicação social e, em particular, as televisões, não só não contam tudo, como muitas vezes, mesmo que sem intenção, são injustas e parcelares na apreciação do trabalho dos bombeiros. Nomeadamente, quando se toca a quantificar e qualificar a participação deles em muitos teatros de operação.

A mediatização da sua presença em alguns deles, e a ausência da comunicação social noutros, podem provocar na opinião públicas distorções de leitura e avaliação em torno do papel dos bombeiros.

Não é só quando são expostos na comunicação social que trabalham bem. Muitas vezes, direi até na maioria das vezes, a sua prestação, competência e eficácia não vem devidamente em relevo como seria justo acontecer.

Por isso, rendo homenagem a todos os bombeiros que, ao longo deste ano, têm sido exemplares no combate às chamas e na defesa das populações e património e de quem, nalguns casos não falou a comunicação social e apenas registarão as estatísticas, como mais uma de muitas outras situações a que os bombeiros também souberam dar resposta mas sem o reconhecimento e a expressão de respeito merecidos por todos, também em termos mediáticos, sem excepção.

Artigo escrito de acordo com a antiga ortografia


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