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Capa do jornal "Bombeiros de Portugal"

Director: Rui Rama da Silva

segunda-feira,

23/07/2018

14:46

Que tenha juízo

05/07/2018 14:59:23


Há coisas que, em função do momento ou das circunstâncias, nos tiram do sério, por muito poder de encaixe ou paciência que tenhamos.

Um idiota chapado, permitam-me esta liberdade de expressão, entendeu dar largas à escrita e através das redes sociais pretendeu ofender os dirigentes dos bombeiros.

BlN.junho.jpgPara mim a culpa não é obviamente das redes sociais mas de quem se utiliza e abusa delas para apenas dar largas a eventuais recalcamentos, frustrações ou preconceitos.

Escreveu aquela figura que “a culpa das desgraças todas ligadas aos bombeiros cabe em primeiro lugar às direções das associações de bombeiros voluntários constituídas por caciques e tachistas partidários que só lá estão para se governarem e a quem os incêndios interessam muito”.

Habituamo-nos a ouvir muitas coisas, umas vezes críticas, outras elogios, mas também aleivosias para as quais, pelo seu conteúdo, não consigo encontrar outra classificação que não seja a de mero lixo. E se calhar por isso nem deveria merecer estas linhas. Mas, há momentos em que a boa educação ou a paciência têm limites.

Eu, e porventura tantos de vós, dirigentes, andamos nisto porque queremos, com histórias diferentes mas o objectivo comum de lutar pela estabilidade e sustentabilidade das associações de que fazemos parte. Nessa matéria, não teremos a veleidade de pretender dar lições a ninguém mas também assiste-nos o direito de só as aceitar quando e como queremos. E o escrito em presença longe de ajudar seja no que for apenas pretende ofender.

Numa associação cada um tem responsabilidades próprias pelas quais, sem dúvida, luta e responde. Mas o êxito desses resultados depende sempre, mas mesmo sempre, do mérito e da capacidade do grupo. E, como grupo, entendo, os bombeiros, o comando e os órgãos sociais. A cada um cabe tarefas próprias e específicas que, no fim, só resultam se entrosadas, se articuladas com os restantes.

E nessa relação, até cumplicidade, importa que as regras e princípios sejam claros e assumidos por todos. No grupo não podem subsistir quaisquer dúvidas sobre as intenções e o empenhamento de cada um. Se assim não for, fica em causa a confiança mútua e os resultados por que se lutam.

Construir um quartel ou remodelá-lo, obter viaturas e outros equipamentos é obrigação clara dos órgãos sociais e, em particular, da direção. Prestar socorro cabe incontornavelmente aos bombeiros sob orientação do seu comando. E para tal, como é óbvio necessitam de instalações e meios. Todos precisam de todos, numa lógica de complementaridade e de entreajuda. Uns sem os outros não conseguem cumprir a função de uma associação humanitária de bombeiros. Ninguém tem que substituir ninguém. Cada um tem uma função própria mas só terá sucesso nela quanto mais souber fazê-lo em articulação com todo o grupo. É assim e, na parte que me toca, não sei fazê-lo de modo diferente.

Nenhum de nós alguma vez pediu algo em troca. Mas agora vou pedir. Não agradeçam mas também não chateiem.

E para o autor do escrito também desejo uma coisa, que tenha juízo.

 

Artigo escrito de acordo com a antiga ortografia

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