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Capa do jornal "Bombeiros de Portugal"

Director: Rui Rama da Silva

segunda-feira,

17/12/2018

17:24

“How much”

05/01/2018 15:31:51


bnDez.jpgEsta expressão anglo-saxónica “how much” é bem conhecida e testemunha a crueza da realidade dos números quando se trata de associar, diminuir ou aumentar custos seja para o que for. Uns dirão que isso não tem nada a ver com as nossas associações. Outros, em que me incluo, dizemos que tem tudo a ver com as nossas instituições, mesmo que a sua essência, obviamente, não se esgote nisso.

A generosidade, a disponibilidade, a própria abnegação, para serem praticados carecem obviamente de meios, humanos, desde logo, mas também materiais.

Para fazer o bem não basta a boa vontade e a coragem. Para fazê-lo importa garantir os meios necessários e indispensáveis. Isso não minimiza, nem substitui a bondade, o humanismo, o voluntariado que caracterizam bem as mulheres e homens dos nossos corpos de bombeiros, o nosso capital maior, mas também não esgota nem dispensa os meios para a sua concretização.

Dirão alguns desatentos ou mal-intencionados que, nós, dirigentes associativos, vivemos obcecados com os meios, os dinheiros de que necessitamos para manter a operacionalidade dos corpos de bombeiros e tudo o que lhe está associado, inclusive, a responsabilidade social para com os colaboradores e suas famílias, através do ressarcimento devido pela colaboração prestada. Há concelhos deste país em que as associações de bombeiros identificam-se como principais empregadores, nalguns casos logo a seguir às respectivas câmaras municipais.

Aquilo que para uns possa parecer obsessão, a meu ver, de facto, trata-se de sentido de responsabilidade efectivo e claro. As necessidades de apoio e socorro às populações são conhecidas e estão plenamente identificadas. E os custos que lhes estão associados também.

É que, aparte os entusiasmos fortuitos de apoiar os bombeiros, que não podemos deixar de reconhecer e agradecer, contudo, certo é também que as responsabilidades que transportamos não correspondem apenas a necessidades passageiras ou momentâneas. Como é sabido cabe-nos garantir o suporte aos custos do dia a dia, ou seja, assumir regularmente as verbas com que possamos garantir a sustentabilidade das associações e dos respectivos corpos de bombeiros.

Esta questão não é nova, como é sabido. Trespassa toda a história das nossas associações, não é nova mas bem antiga. E, pese embora todos os esforços no financiamento e ressarcimento das missões atribuídas aos bombeiros, seja pelo Estado, pelas autarquias ou por outras entidades, certo é que as verbas em causa, como prova a realidade nua e crua que todos os dirigentes vivem, ficam aquém das necessidades.

E o mais curioso é que, volta e meia, quando o lembramos, por que é nossa obrigação também fazê-lo, invariavelmente somos apontados como maus gestores, gastadores ou pouco reconhecidos perante os apoios recebidos.

Trata-se verdadeiramente da questão do copo meio cheio ou meio vazio. Para nós, como facilmente se demonstra, trata-se do copo meio vazio, direi mesmo praticamente vazio. Para outrem, pouco interessado em conhecer os custos reais, se calhar trata-se do copo cheio.

A questão é de fundo e, para além dos custos em si, acaba por ter uma perspectiva mais alargada. De facto, resume-se na questão há muito enunciada pelo presidente da LBP sobre o que querem, para, e dos bombeiros portugueses. Questão mais que pertinente e actual quando se anunciam mudanças gerais para o domínio da proteção civil, esquecendo-se, a importância fundamental que os bombeiros assumem como seu principal e maciço agente e a lógica prevalecente de dependência dos bombeiros a que se exige por termo.

Artigo escrito de acordo com a antiga ortografia

 

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